• Augusto Guiraldelli

As consequências do coronavírus no mercado B2B


Até o presente momento (12/03/2020), já foram detectados mais de mil casos de contágio pelo novo coronavírus nos Estados Unidos, e 138 mil casos ao redor do globo. Americanos e europeus estão esvaziando supermercados em busca de suprimentos básicos para estocarem em suas casas. Em algumas cidades onde constam diversos casos, como Seattle, foram suspensas aulas em escolas públicas inicialmente por duas semanas. Na Europa a situação é ainda mais alarmante: depois do surto na Itália, a França já contabilizou 48 mortes; o tradicional festival de bonecos gigantes em Valência, na Espanha, também foi cancelado; na Grã-Bretanha o coronavírus já atingiu membros de alto escalão do governo local e a Alemanha provisionou que o vírus pode infectar cerca de até 60% a 70% do país.


Além do caos na saúde pública, o coronavírus vem afetando também a saúde financeira de países e empresas ao redor do globo. Ações de contingência foram adotadas, como o corte de taxas de juros adotadas por bancos da Inglaterra (chegaram a menor taxa de sua história, 0,25%) e o corte de 0,5 ponto percentual na taxa de juros americana, passando para a faixa de 1% a 1,25% ao ano. No Brasil as previsões de crescimento estão sendo revistas e reduzidas pelas principais instituições financeiras.


Todas as variáveis afetadas pelo coronavírus também têm impactado em diversos setores da economia, incluindo o mercado B2B. Muitas empresas estão encontrando dificuldades para manter a performance de suas cadeias de suprimentos, já que o mercado internacional vem encontrando problemas de importação, desabastecimento, níveis de estoque muito altos pela falta de demanda, atrasos logísticos, entre outros. Por melhor que seja o planejamento de riscos de uma organização, nenhum negócio é imune a situações de grande incerteza como é o caso do coronavírus. A provisão para cenários fortemente dependentes de variáveis externas é complexa, e obriga empresas a agirem rapidamente para reduzir os impactos aos negócios.


Conceitos da gestão de riscos são muito conhecidos no mercado, porém muitas vezes mal aplicados ou na prática, nem aplicados. É imprescindível que seu negócio realize a identificação e mapeamento de possíveis riscos e variáveis que possam influenciar a empresa, desde variáveis ambientais como escassez de água e matérias-primas, até variáveis políticas, como a implementação de uma nova lei que possa impactar diretamente ou indiretamente a empresa em questão. Também é muito importante avaliar o possível impacto de cada risco mapeado, possíveis efeitos e probabilidade de ocorrência. Após o mapeamento e análise dos riscos, é hora de planejar ações para combatê-los e monitorar os processos de prevenções estipulados.


Para o setor de suprimentos, uma boa estratégia contempla a consideração de fornecedores alternativos, principalmente para demanda de itens de alto impacto. Em momentos de crise o relacionamento com os fornecedores se revela crucial para manter o atendimento com o mínimo possível de ruídos, ressaltando a importância de trabalhá-lo continuamente no longo prazo, estabelecendo parcerias com fornecedores-chave. Modificar as políticas de estoques para alguns insumos e produtos pode ser uma boa medida de contingência, de acordo com os riscos mapeados. Juntamente com outras medidas, de forma colaborativa através da cadeia de suprimentos é possível mitigar o impacto diante de riscos que se apresentam tão dinamicamente quanto as mudanças do mundo moderno.


Por Augusto Guiraldelli e Joice Ribeiro



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