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  • Augusto Guiraldelli

Esporte versus Pandemia, a retomada vale o risco?

Atualizado: Jun 19

Torcedores ingleses e do mundo inteiro se animaram com a retomada da Premier League no dia 17 de junho, após quase três meses de paralisação por conta da pandemia do novo Coronavírus. Mas será essa uma decisão inteligente?


Duas semanas antes do anúncio sobre a retomada dos jogos na Liga Inglesa de Futebol, nosso Chief Scientific Advisor, Gilberto Montibeller, professor da Universidade de Loughborough (Inglaterra) e especialista em análise de riscos e políticas de saúde, foi entrevistado pelo jornal inglês Daily Talegraph, onde analisou o contexto e potenciais riscos desta retomada.


Os executivos da Premier League sabem que é impossível assegurar a segurança de todos os participantes e “apostam” em um risco clinicamente aceitável para todos os envolvidos neste retorno. Gilberto opinou: “Minha recomendação, como analista de risco, é avaliar um cenário em que um jogador faz um teste negativo, mas se contamina e isso se torna um caso sério. E agora? Como isso será visto versus os benefícios e receitas advindas do jogo começando a serem geradas de novo? Se algo trágico como isso acontecesse, eles continuariam jogando? Qual seria o próximo passo?”


Muitos jogadores (que são os principais protagonistas do futebol) já manifestavam a insegurança de voltar a jogar neste momento e expuseram que foram os últimos a serem consultados sobre o plano de retomada do futebol inglês.


Este conflito na tomada de decisão é um grande exemplo de trade-off.

Trade-off é um termo da língua inglesa que significa: o ato de escolher uma coisa em detrimento de outra. Por vezes traduzido como "perde-e-ganha", um trade-off pode ocorrer em várias situações do cotidiano. Por exemplo, um carro que é mais pesado, geralmente tem mais estabilidade, mas em contrapartida necessita de mais potência, o que pode levar a um maior consumo de combustível.


No caso da Premier League, os executivos estão fazendo uma aposta de risco ao retomarem os jogos em um país que conta com mais de 42 mil mortes e cerca de 300 mil casos de Covid-19 confirmados até o momento. Com a volta do campeonato não seria absurdo prever que haja um contágio entre os jogadores e que alguns casos possam se tornar fatais, o que causaria um enorme dano à marca Premier League e perdendo o maior ativo de qualquer ser humano, a vida. Cedendo às pressões de investidores e colocando mais peso nos fatores econômicos do que na saúde dos jogadores, técnicos e outros envolvidos, a Premier League pode estar priorizando interesses econômicos em detrimento da saúde e segurança de todos os envolvidos no espetáculo.


Outro esporte popular que montou um plano de retomada é o automobilismo. A fórmula 1 tem previsão de reinício para o dia 5 de julho, com o Grade Prêmio da Áustria. O plano consiste em criar um tipo de “ambiente” para todos os envolvidos nas disputas, onde os participantes ficarão isolados e não terão contato prévio com nenhuma pessoa que já tenha sido infectada pelo novo coronavírus, além de todas as pessoas serem testadas a cada dois dias.


Outro ponto é a avaliação do cenário de cada país onde irá ocorrer uma corrida. A etapa do Brasil, por exemplo, corre grande risco de ser substituída por outro local, como Mônaco ou Austrália, já que o país ainda não obteve sucesso no achatamento da curva de contágio e representa um risco acima do calculado em outros países, mesmo com o Grande Prêmio estando programado somente para o dia 15 de novembro.


Cada esporte tem suas peculiaridades para considerar na decisão de retomada, e também pressões dos diferentes grupos envolvidos – dirigentes, patrocinadores, atletas, público, para citar alguns. Fatores como a interação existente entre os atletas na prática do esporte, como é o acompanhamento dos espectadores e o local em que é conduzido são relevantes para determinação do plano de retomada, e indicarão alternativas diferentes para cada modalidade. O formato de execução dos campeonatos também é de grande impacto nesta decisão, ligas e circuitos que são locais têm cenário mais favorável para retorno do que campeonatos globais, que são executados em diversas cidades ao redor do mundo.


A utilização de metodologias para tomada de decisão com múltiplos objetivos auxilia a tomar uma boa decisão neste ambiente, que além de complexo e altamente estratégico possui diversas incertezas e riscos associados.


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Por Augusto Guiraldelli e Joice Ribeiro


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